Linha do Tempo

1974

Luís Otávio Burnier, aos 17 anos de idade, no seu primeiro espetáculo de mímica, “Burna”, com figurino confeccionado pela mãe, Thaís. Inspirado em Marcel Marceau, ele veste cartola e paletó surrados e se relaciona com borboletas, crianças e bêbados.

Burnier se inicia no teatro com Teresa Aguiar, no Conservatório Carlos Gomes, em Campinas (SP), e vai aprender mímica em Michigan, nos Estados Unidos, onde termina os estudos secundários.

 
1975

Ao passar em primeiro lugar nos exames para a Escola de Arte Dramática (EAD), da Universidade de São Paulo (USP), Burnier ganha bolsa de estudos para a escola de Jacques Lecoq, na França, e se torna aluno de Etienne Decroux, mestre de Marceau e criador da mímica moderna. ”Que meu corpo seja a folha de papel em branco e minh’alma a tinta que permitirá a tua arte, Decroux, de existir”, Luís Otávio Burnier.

 
1976

No primeiro retorno ao Brasil, Burnier faz demonstração técnica de tudo o que vinha aprendendo na França, com Decroux, para cerca de 150 pessoas que o aplaudem de pé.

Em seu livro “Pratique Du Théatre”, Decroux escreve a seguinte dedicatória para Burnier: “(...) eu não sou quem sou, sou o que quero ser. Porque o que eu posso ser, sou eu quem o quer. Eu imito meu ideal. O homem superior. Sem essa imitação, não tem progresso. A mímica é uma imitação, Paris, 8 de abril de 1976, Decroux”.

 
1978

No Brasil novamente, Burnier apresenta o espetáculo “Curriculum”, ao lado do francês Giorá Selliger, em que revela as técnicas aprendidas com Decroux.

O mestre francês escreveria ao crítico Sábato Magaldi – então secretário de Cultura da Prefeitura de São Paulo: ”Ele é dotado para a técnica. Ele tem presença. Eu desejo que nada se oponha a que ele continue seus estudos”.

 
1983

Baseado em conto “Macário”, do mexicano Juan Rulfo, sobre um menino maltrapilho e manco, Burnier monta espetáculo solo homônimo, fruto também de pesquisa pelas ruas, hospitais e favelas do Rio de Janeiro e de Quito, no Equador. Na segunda versão do solo, ele aparece vestindo fraque, por sugestão do amigo Eugenio Barba, do Odin Teatret.

 
1984

Burnier se casa com a musicista Denise Garcia, com quem tem o filho André e desenvolve uma parceria essencial na criação dos espetáculos do LUME.

No mesmo ano, o ator Carlos Simioni vem de Curitiba (PR), com então 26 anos de idade, para trabalhar com Burnier – depois de fazer um curso intensivo com ele, na Escola de Arte Laranjeiras, no Rio de Janeiro. Simioni pede para ser seu discípulo e ouve de Burnier que o trabalho duraria, no mínimo, 20 anos.

 
1985

Burnier funda o LUME, inicialmente Laboratório Unicamp de Movimento e Expressão, em 11 de março do mesmo ano. Ao vincular-se ao Instituto de Artes (IA) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) – onde era professor no Departamento de Artes Cênicas – o grupo encontra condições para desenvolver pesquisas sobre técnicas do ator.

 
1987

A convite do LUME, o grupo dinamarquês dirigido por Eugenio Barba (foto), criador do conceito da antropologia teatral – uma ciência que estuda o comportamento do ser humano em situação de representação, por meio da utilização extra-cotidiana do corpo –, vem pela primeira vez ao Brasil. É quando começa a colaboração efetiva entre o Odin e o LUME.

 
1988

Estreia “Kelbilim, o Cão da Divindade”, solo de Carlos Simioni (foto), com direção de Burnier e direção musical de Denise Garcia. Como transformar em arte o material pesquisado nos últimos três anos? Como transformar uma técnica de treinamento em uma técnica de representação? Surge assim, o primeiro espetáculo, inspirado na conversão mística de Santo Agostinho, em que utiliza a Dança Pessoal, técnica de representação criada e desenvolvida pelo LUME.

Chega o segundo ator do LUME, Ricardo Puccetti, que introduz a pesquisa da arte do palhaço no núcleo por meio da pesquisa Clown e o Sentido Cômico do Corpo. Junto de Burnier e Simioni, Puccetti organiza os Retiros de Clown, que consiste na iniciação de atores ao palhaço – a primeira edição acontece em 1989.

 
1991

O LUME realiza trabalho com a coreógrafa e dançarina de butô Natsu Nakajima (foto) – discípula de Tatsumi Hijikata e Kazuo Ohno. O resultado da parceria é o espetáculo “Sleep and Reincarnation from Empty Land”, apresentado no extinto Festival Internacional de Teatro de Campinas (FIT).

 
1992

Burnier, Puccetti e Simioni (a partir da esq.) estreiam “Valef Ormos.”, espetáculo de palhaços que resultou da pesquisa Clown e o Sentido Cômico no LUME.

 
1993

O LUME orienta 11 formandos em artes cênicas pela Unicamp que viajam para vários estados do Brasil colhendo histórias, movimentos e expressões do povo para o espetáculo “Taucoauaa Panhé Mondo Pé”. Eram eles: Ana Cristina Colla, Ana Elvira Wuo, Andréa Ghilardi, Fábio Leirias, Fátima Cristina Moniz, Gabriel Braga Nunes, Jesser de Souza, Katherine Nakad Chuffi, Marli Marques, Raquel Scotti Hirson e Renato Ferracini.

Dessa experiência, quatro atores passariam a integrar o LUME em 1995: Ana Cristina Colla, Jesser de Souza, Raquel Scotti Hirson e Renato Ferracini (foto). Ana Elvira Wuo também fez parte do LUME até 1997, assim como Luciene Pascolat, que ajudou a orientar os formandos.

 
1994

O LUME passa a ser reconhecido pela Unicamp como Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais e ganha sede na Vila Santa Isabel, em Barão Geraldo.

Burnier defende a tese de doutorado pela PUC-São Paulo “A Arte de Ator - da Técnica à Representação”, orientado por Norval Baitello Jr., na qual sintetiza os primeiros 10 anos de prática com o LUME. A tese é publicada em livro, pela Editora Unicamp, em 2001, com reedição em 2009.

 
1995

Luís Otávio Burnier morre aos 38 anos de idade, de infecção generalizada. “A vida nossa não é senão o lapso de tempo que nos é dado para depositarmos o nosso dom. O meu Luís o fez, e com que desprendimento e generosidade, na alegria e na singeleza”, escreve Rogério, pai do ator. Sem o seu mestre, os atores do LUME seguem adiante, desenvolvendo novas técnicas e espetáculos.



Ricardo Puccetti estreia o solo “Cnossos” (foto abaixo), uma espécie de poema sobre a solidão humana inspirado na mitologia do Minotauro e do Labirinto de Creta. O espetáculo traz elementos da Dança Pessoal.


Os atores Jesser de Souza, Raquel Scotti Hirson, Ana Cristina Colla, Renato Ferracini, Ana Elvira Wuo e Luciene Pascolat encenam “Contadores de Estórias”, espetáculo apresentado na sede do grupo, na Vila Santa Isabel. O LUME estreou ainda: “Anoné”, com direção de Carlos Simioni, e “Mixórdia em Marcha-Ré Menor”, dirigido por Ricardo Puccetti.

 
1996

Estreia "Cravo, Lírio e Rosa", com a dupla de palhaços Carolino (Carlos Simioni) e Teotônio (Ricardo Puccetti), apresentado em várias cidades brasileiras e na Espanha, Finlândia, Egito, Israel, Bolívia, França, Equador, Estados Unidos, Itália, Nicarágua e Portugal.

 
1997

Chega ao Brasil a atriz Naomi Silman (foto), que entra oficialmente para o LUME no ano seguinte. Nascida em Londres e formada pelo Goldsmith’s College, ela viveu em Israel e França antes de vir para o País.

No mesmo ano, Ricardo Puccetti estreia o espetáculo de palhaço “La Scarpetta (Spettacolo Artístico)”, dirigido pelo palhaço italiano Nani Colombaioni.

A dançarina de butô Anzu Furukawa vem ao Brasil e monta com o grupo “Afastem-se Vacas que a Vida é Curta”, baseado no romance “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel Garcia Marques.

 
1998

Os sete atores do grupo vão para praças e avenidas das cidades com “Parada de Rua”, espetáculo que contou com direção de Kai Bredholt, do Odin Teatret, tornando-se um dos espetáculos mais rodados do grupo. Muitas vezes, as viagens com a Parada foram acompanhadas de "trueques" – trocas com a comunidade local com base na música e canto.

 
1999

Ana Cristina Colla, Jesser de Souza, Raquel Scotti Hirson e Renato Ferracini voltam à mímesis corpórea para encenar “Café com Queijo”, em que vivem tipos encontrados em viagens à Amazônia. O espetáculo ganhou em 2009 o ProAc (Programa de Ação Cultural) de circulação pela Secretaria de Estado da Cultura e foi apresentado em cidades do Interior.
A convite do LUME, a palhaça canadense Sue Morrison vem ao Brasil para desenvolver a pesquisa “O Clown Através da Máscara” com o grupo.

 
2000

Após dois anos de pesquisa sobre o universo do corpo em estados de trauma e unindo as pesquisas de Dança Pessoal e Mímesis Corpórea, as atrizes Raquel Scotti Hirson e Ana Cristina Colla montam “Um Dia...”, dirigidas por Naomi Silman.

 
2002

Mais um nome importante da dança butô vem ao Brasil. Tadashi Endo, discípulo de Kazuo Ohno, traz o espetáculo “MA” para Campinas e começa uma das parcerias mais frutíferas com o grupo, rendendo o primeiro espetáculo juntos, “Shi-Zen, 7 Cuias”, no ano seguinte.

 
2003

Com direção de Tadashi Endo, “Shi-Zen, 7 Cuias” (foto) estreia oficialmente no MAMU Festival, na Alemanha.

Naomi Silman viaja ao Canadá para aprofundar o trabalho com a clown Sue Morrison.

O LUME realiza pela primeira vez o projeto Cursos de Fevereiro, em que os atores do grupo trabalham durante um mês na transmissão de técnicas em sua sede, em Barão Geraldo. O projeto atrai artistas de diversas partes do Brasil e do mundo para o distrito, o que motivou a criação de um festival de teatro, o Feverestival, e de uma série de atividades na sede chamada Terra LUME.

 
2004

A atriz Naomi Silman estreia o espetáculo solo de palhaço ”O Não-Lugar de Ágada-Tchainik”, com direção da canadense Sue Morrison.

“Shi-Zen, 7 Cuias” é indicado a três categorias do Prêmio Shell.

 

 
2005

O LUME comemora duas décadas com a apresentação de 10 espetáculos do repertório, viajando para diversos lugares do Brasil e do Exterior e trazendo mestres internacionais como Leris Colombaioni e Sue Morrison.

“Shi-Zen, 7 Cuias” é aclamado no Festival Internacional de Edimburgo, na Escócia.

 

 
2006

Os quatro atores de “Café com Queijo” voltam à cena com “O que seria de nós sem as coisas que não existem” (foto), com texto e direção de Norberto Presta. Histórias e ações físicas e vocais de velhos operários da Fábrica de Chapéus Cury, de Campinas

Carlos Simioni faz o segundo solo, “Sopro”, baseado na Dança Pessoal e dirigido por Tadashi Endo

 
2007

Ricardo Puccetti em novo solo, “Kavka” - Agarrado num Traço a Lápis, com direção de Naomi Silman, sobre a última noite de Franz Kafka.

 
2008

Quatro espetáculos do LUME são gravados em vídeo: “Shi-Zen, 7 Cuias”, Kelbilim” – o Cão da Divindade”, Cravo, Lírio e Rosa” e “O que seria de nós sem as coisas que não existem”, pelo Laboratório Cisco, de Campinas, lançados em DVD, com patrocínio da Petrobras – sendo lançados no ano seguinte.

 
2009

É realizada a primeira edição do projeto CASA LUME, em parceria com o SESC no Festival de Palco Giratório de Porto Alegre.

Ana Cristina Colla estreia o primeiro solo, “Você” (foto), continuando a parceria do LUME com Tadashi Endo, em que revive memórias da infância e juventude.

Os atores do LUME gravam o primeiro curta-metragem juntos. Dirigido por Júlio Matos, do Laboratório Cisco, eles representam personagens de um grupo de música romântica chamada Os Bem-Intencionados (foto abaixo).

 
2010

Para comemorar os 25 anos de fundação, o LUME convida dezenas de artistas e grupos de Barão Geraldo para a montagem coletiva “Sonho de Ícaro” (foto abaixo), com direção dos atores Ricardo Puccetti e Naomi Silman, apresentado com sessão extra em 31 de janeiro de 2010, no Sesc-Campinas, com mais de 70 artistas em cena. O espetáculo abre o VIII Feverestival – Festival Internacional de Campinas e é apresentado em duas sessões para um público de mais de 1 mil pessoas.

E aguardem a volta dos Bem Intencionados numa nova montagem do grupo...

 

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